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Palestra: Os Druidas – A Sabedorias dos Celtas Antigos

Palestra

O Caer Ynis e a União Druídica do Brasil promovem esta palestra que pretende desmistificar a Tradição dos Druidas ao público iniciante. Toda a comunidade está convidada a participar.

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Dois membros do Caer Ynis estão com blogs novos com assuntos relacionados ao druidismo.

Rafael está postando sobre música tradicional irlandesa no http://rafaelcorr.blogspot.com/ e Bach está participando dos 30 Dias Druídicos no http://coregnato.wordpress.com/ .

JP Bach

As Implicações Políticas do Neo-Druidismo Pagão

AS IMPLICAÇÕES POLÍTICAS DO NEO-DRUIDISMO PAGÃO

Arquidruida Isaac Bonewits
traduzido por Bellovesos

No curso de toda a história humana, pessoas que ocultaram o conhecimento (quer se tratasse do conhecimento da cura, da predição, das matemáticas ou da magia) usaram sua posse exclusiva desse conhecimento como uma fonte de poder para propósitos que eram bons, maus ou estranhos. A casta guerreira sempre fez o seu melhor (ou pior) para tomar esse conhecimento da “intelligentsia” e destiná-lo a um uso político, econômico e militar. Hoje, quase todas as ciências teóricas e práticas tornaram-se ferramentas para aqueles que desejam controlar seus semelhantes. Os poluidores, os exploradores, os opressores e os conquistadores são os únicos que controlam aproximadamente toda a tecnologia do poder manifesto e uma grande parte da tecnologia da tirania encoberta.

Uma das muito poucas maneiras que temos para defendermos nós mesmos e nossos companheiros de viagem (humanos e outros) nesta Espaçonave Terra é por meio do uso cuidadoso e judicioso da magia. Governos nacionais e empresas privadas gastaram milhões de dólares (e rublos e libras e ienes) tentando desenvolver poderes psíquicos em instrumentos confiáveis para guerra e opressão. Enquanto isso, muitos de nós, que deveriam estar aprendendo técnicas precisas e uma meticulosa regulação do tempo, a fim de usar a magia e o poder dos Deuses para defender nós mesmos e nossa Mãe Terra, estavam ocupados sendo românticos de olhos enevoados, não desejando “macular nosso karma” ao tentar realizar a magia que pudesse realmente funcionar (ou seja, pela qual tivéssemos de assumir uma responsabilidade pessoal).

como resultado, aqueles de nós em comunidades “new age”, ambientalistas ou neo-pagãs ajudaram as próprias forças da opressão contra as quais clamamos nossa oposição. Somos parcialmente responsáveis pela pobreza, fome, poluição, doença e mortes prematuras que dominam uma parte tão grande de nosso planeta. Os ocultistas ajudaram por sua indisposição de colocarem seus talentos à prova usando-os para propósitos “mundanos” e “pouco evoluídos”. Ecologistas, nacionalistas célticos e supostos revolucionários ajudaram por sua indisposição de usar tecnologias não- materialistas para provocar mudanças no mundo material (afinal de contas, se Freud e Marx não acham que a magia é real, provavelmente ela não funciona). A criação do druidismo neo-pagão pode, finalmente, ser capaz de ajudar a mudar essas atitudes.

Apesar dos esforços dos clérigos cristãos liberais para fazer-nos esquecer do genocídio físico e cultural cometido pelo cristianismo organizado contra povos tribais em toda parte, simplesmente não há modo de ignorar o fato de que monoteístas no poder sempre procuram silenciar vozes competidoras. Não podemos olhar para as igrejas em voga buscando nossa liberação física e espiritual, pois, em primeiro lugar, são elas que tiram nossa liberdade. Cientificismo, ateísmo esquerdista e o transcendentalismo da Nova Era também não têm respostas, pois são do mesmo modo produtos de uma realidade monoteísta e procuram impor seus dogmas e escrituras sagradas com tanto afinco como as igrejas sempre fizeram. Aqueles que desejam viver em um mundo de paz, liberdade e pluralismo cultural devem olhar além das alternativas atualmente disponíveis, “respeitáveis”, que têm sido aprsentadas pelos meios de comunicação e considerar novas opções.

Muitas pessoas pensam no neo-paganismo em geral e no druidismo, em particular (se de qualquer forma pensam a respeito deles), como sendo “religiões esquisitas”, sem implicações políticas  dignas de investigação. Mas eu acredito que o druidismo neo-pagão tem aspectos políticos importantes que devem ser considerados, especialmente por aqueles preocupados com a sobrevivência e renascimento tanto da Mãe Terra, quando dos povos célticos.

O DRUIDISMO NEO-PAGÃO É POLÍTICO porque uma das tarefas primordiais do clero sempre tem sido pastorear os guerreiros. Essa pode ser uma razão pela qual os chefes bárbaros deram as boas-vindas aos missionários cristãos, porque eles perceberam (corretamente) que os sacerdotes cristãos estariam mais dispostos a fazer o jogo deles do que os druidas jamais estiveram. Afinal, se o mundo estiver por acabar num dia qualquer desses, por quê se preocupar em controlar os guerreiros locais? A principal ameaça à vida neste planeta agora vem de guerreiros fora de controle – soldados, políticos e terroristas, na verdade -, veja meu ensaio sobre “Guerreiros e Soldados e Tiras – ó Céus!” para uma discussão sobre as diferenças. Então, é tempo de, que nós, druidas, comecemos a cumprir esse dever seriamente outra vez.

O DRUIDISMO NEO-PAGÃO É POLÍTICO porque somente uma religião de adoração à Natureza pode dar às pessoas uma inquietação suficiente pelo meio-ambiente para fazê-las realizarem de boa vontade os sacrifícios necessários que devem ser feitos em termos de estilo de vida e padrões de consumo. o monoteísmo é a principal causa do presente estado da ecologia mundial. Precisamos de uma forte religião pública que diga aos poluidores: “Não, não está divinamente permitido que vocês estuprem a Terra, não importa o que digam as suas escrituras.”

O DRUIDISMO NEO-PAGÃO É POLÍTICO porque os druidas sempre foram os preservadores do melor de suas culturas tradicionais. Os druidas meso-pagãos da Bretanha e de Gales, por exemplo, são diretamente responsáveis pelo renascimento da língua e tradição córnicas, que estiveram à beira da extinção. Os vários movimentos de preservação tradicional e independência, tais como o céltico, o flamengo, o báltico e outros movimentos relacionados na Europa, precisam de liderança religiosa e cultural baseada em suas próprias culturas. O druidismo pode ajudar a criar um ambiente em que tal liderança possa desenvolver-se.

O DRUIDISMO NEO-PAGÃO É POLÍTICO porque oferece uma visão de mundo completamente diferente das tiranias monoteísticas que agora controlam nosso planeta. Uma das muitas coisas que qualquer religião faz é dar forma às maneiras como as pessoas vêem o mundo ao seu redor. Precisamos de uma religião que ofereça às pessoas uma multiplicidade de opiniões, ao invés das escolhas ocidentais tradicionais disto/daquilo, branco/preto, vitória/derrota.

O DRUIDISMO NEO-PAGÃO É POLÍTICO porque, na sua base, pode ensinar as pessoas a usar seus poderes psíquicos concedidos pelos Deuses e outros talentos para mudar o modo como as coisas são. Não se engane, palavras mágicas funcionam, ao menos com tanta freqüência quanto a poesia, a música ou comícios políticos. A magia é uma forma de poder que nós, o povo da Terra, temos à disposição para usar, não somente para um “fortalecimento’ psicológico (fazendo com que nos sintamos melhores), mas para realmente controlar os indivíduos e instituições responsáveis pela atual bagunça em nosso planeta. Se estivermos reticentes quanto ao uso da magia, então também teríamos a possibilidade de submeter-nos nós mesmos e nossos descendentes seja a uma vida de escravidão num mundo homogeneizado, pasteurizado, seja a uma morte lenta, prolongada, trazida pelo colapso ambiental. E qual desculpa daremos aos “Senhores do Karma” então?

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Philip Emmons Isaac Bonewits nasceu em 1º de outubro de 1949, em Royal Oak, Michigan (EUA) e faleceu em 12 de agosto de 2010. Foi fundador e Arquidruida da “An rDraiocht Féin” (ADF, “Nosso Próprio Druidismo”).

Tribann

O Tribann é um símbolo específico do movimento neo-druídico de filiação gaulesa, e se apresenta sobre a forma de três traços (bann significa raio em bretão) convergindo em um ponto elevado: /|\.

Este símbolo, notadamente solar, representa um princípio ternário. Podemos encontrar sobre estandartes e sobre as vestimentas de neo-druidas onde ele pode significar, entre outras coisas: amor, conhecimento e verdade ou amor, paz e sabedoria para cada um dos raio. Uma outra interpretação diz que ele representa as três letras primordiais (O I W) do nome de Deus ou “Incriado”, que criou o mundo ao pronunciar seu próprio nome (Nota do Tradutor: este último conceito está intimamente ligada à visão romântica do druidismo, segundo proposto no século XVIII por Iolo Morgwang em sua obra “The Barddas”). As tríades eram comuns no mundo celta, sendo possível atribuir ao símbolo outros significados ternários. Inserido em um “ovo cósmico”, considera-se que o Tribann represente a função (neo-)druídica. Uma conotação negativa ou maléfica é as vezes conferida ao Tribaan invertido (\|/).

É conveniente de se perceber que o Tribann cabe ao contexto contemporâneo do cristianismo e não do druidismo antigo, pois ele é desconhecido na mitologia celta da Antiguidade, tanto em textos quando em motivos gráficos da arte celta. Contudo existe um deus gaulês chamado Tribans ou Tribanti, conhecido por uma inscrição e cuja estátua encontra-se conservada pelo museu de Langensoultzbach (Alsace). Esta divindade é representada com uma coroa de três chifres (o significado de Tribanti) formando precisamente um Tribann invertido.

Nota: o Tribann neo-druídico não deve ser confundido com o Triban, antigo logo do Partido Nacional Galês, o “Plaid Cymru” que representa as montanhas do País-de-Gales.

(texto traduzido de http://fr.wikipedia.org/wiki/Tribann)

Em algumas escolas druídicas é costume que os druidas consagrados utilizem o Tribann antes de seu nome, como uma forma de reconhecer a inpiração nestes. Já aos demais, pode-se utilizar o Tribann após seu nome, significando algo como “eu te desejo a inspiração”.

JP Bach

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Para iniciar as atividades desse site, dou as boas-vindas aos visitantes e sugiro ler as seções Caer Ynis para saber mais a respeito de nosso grupo e Druidismo para saber mais sobre nossa espiritualidade.

Awen /|\

José Paulo Bach